Do you play footbal?

Eu já sabia que o futebol brasileiro era famoso em todo o planeta, mas não tinha idéia da dimensão. Logo que embarquei para a Europa, meu "amigo" italiano me perguntou se eu jogava futebol, já que ele admirava o futebol brasileiro e seu maior ídolo era o Adriano. Achei normal, pois era um torcedor da Inter e sabia do sucesso que o atacante fazia em Milão. Conversamos um pouco sobre futebol e ele até me disse que foi ao Maracanã assistir a um Fluminense e Corinthians, em 2002, quando o Dida ainda era o goleiro do Todo Poderoso.
Após desembarcar em terra inglesa, o motorista iraniano que me levou até minha casa, em Brighton, perguntou qual era minha nacionalidade. Assim que eu respondi, ele emendou: "Really? Do you play football?". Achei muita graça em sua pergunta, mas respondi que só jogava por brincadeira. Para ele, o Brasil é o melhor time do mundo (novidade) e, na Copa do Mundo, ele só torce para a Seleção Canarinha, mesmo se for contra o Irã.
Quando ele me deixou em minha nova casa, cumprimentei minha host-family, liguei para minha família e, meu colega de quarto mexicano, Marcos, foi me mostrar nosso quarto. Ao subir as escadas, ele me fez a seguinte pergunta: "Do you play football?". Falei que sim e combinamos de reunir uma galera pra bater uma bola o mais rápido possível. Para Marcos, Ronaldinho Gaúcho é o melhor jogador do mundo (novidade).
Depos de minha primeira noite de sono (e que sono) em Brighton, fui para a escola fazer meu teste de colocação. Conversei com três equatorianos por algum tempo, mas eles insistiam em falar em espanhol, então desisti. Descobri que eu era o único brazuca na EF naquele dia. Durante o intervalo, três rapazes que estavam juntos (dois turcos e um chileno) me abordaram e perguntaram se eu era brasileiro. Respondi que sim e um deles me fez a seguinte pergunta: "Do you play football?". Conversamos por um bom tempo sobre futebol. Um dos turcos, torcedor fanático do Fenerbach, tem como maior ídolo "Alex dos Santos" (o Alex, ex-Palmeiras). Já o chileno acha Robinho o melhor de todos, principalmente depois que o Santos eliminou seu time, Universidad del Chile, da Libertadores deste ano. Ouvi uma conversa entre ele e o turco, em que dizia algo semelhante a isso: "Na América, Brasil e Argentina são os melhores e depois vem tudo junto: Colômbia, Chile, Paraguai, etc.", e depois emendou. "Mas o Brasil está muito à frente da Argentina".
Cheguei à conclusão de que se tivesse comprado mais camisas do Brasil, poderia vendê-las pelo preço que eu quisesse. Pena que eu não trouxe.
Escrito por Alemão às 11h01
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Não caiu a ficha...

Em meu terceiro dia na Inglaterra, tudo começa a tomar forma em minha mente. Começamos pela viagem.
Após despedir-me de meus pais no aeroporto e passar pela Polícia Federal, cheguei ao local onde as pessoas sentam-se, esperando a hora do embarque. Nada de anormal para quem já pegou ônibus no Tietê diversas vezes para ir a Campos do Jordão, Valinhos e Belo Horizonte. Jogo da Seleção Brasileira sub-20 na TV e, de repente, algumas pessoas ao meu lado comemoram um gol. Gol da Holanda! Gol da Holanda? Foi aí que me lembrei de que estava em um aeroporto embarcando para a... Holanda.
Chegou a hora do embarque. Mostrei minha passagem (igual ao busão), passei por um corredor, entrei no avião e sentei no lugar indicado. Há alguns minutos no ar, eu ia percebendo, aos poucos, que não se tratava de mais uma viagem para o interior de São Paulo. De vez em quando, uma mulher passava ao meu lado oferecendo coca-cola, cerveja, chá, comida, tudo em inglês. À minha frente, havia uma minitelevisão, que eu podia manuseá-la por meio de um controle remoto para assistir filmes, seriados, shows e até jogar video-game. Passei umas 3 horas brincando de Paciência. Estes eram os únicos momentos em que eu percebia o que estava para acontecer em minha vida.
Ao meu lado, um rapaz de uns 40 anos lia a Folha de SP. Pensei que era um brasileiro, obviamente. Perguntei onde ficava o banheiro e ele me respondeu com um sotaque muito forte. Descobri que o homem era italiano, casado com um brasileira e que, no fim de 2005, iria morar no Brasil, definitivamete. Conversamos por um bom tempo sobre política, guerras e esportes. Ele era apaixonado por motovelocidade.
Após desembarcar em Amsterdã, despedi-me do italiano e fui para a sala de embarque para voar para Londres. Novamente, achei que estava no Tietê. Uma garota sentou de frente para mim e começou a falar no celular em português. Eu dei risada, já que não esperava encontrar mais brasileiros até chegar na Inglaterra. Entramos no avião e descobrimos que existia mais um brazuca no mesmo vôo. Ficamos conversando durante toda a viagem.
Quando o avião estava próximo ao aeroporto de Londres, olhei pela janela, vi toda a cidade e percebi que aquela imagem eu já tinha visto anteriormente. "Claro, seu idiota, você viu tudo no Google Earth". Realmente aquilo não era novidade. O que mais me chamou a atenção foram os estádios do Totteham e do Chelsea.
Ao aterrisar em terras britânicas, recebi a notícia de que o motorista que iria me levar até minha casa demoraria, no máximo, 15 minutos. Eu pensei: "Muito bem, aqui na Inglaterra, a pontualidade é uma das principais virtudes de seu povo". Depois de uma hora esperando, tempo para ter quase certeza de que estava no Brasil, surge um rapaz com uma placa escrito "Coleti". Tudo bem, o rapaz não era inglês, era iraniano.
Escrito por Alemão às 10h39
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