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Alemão e suas aventuras na terra de Beckham
 


Off Topics

- O frio está chegando aqui na terra da Rainha. Ontem, por exemplo, não conseguia enxergar um palmo à minha frente de tanta neblina. Fico imaginando que, quando for inverno, terei que gastar um bom dinheiro em roupas.

 

- Na EF (minha escola), há uma mesinha de bilhar ao lado da cantina. Após oito vitórias consecutivas sobre mexicanos, coreanos, venezuelanos e iranianos, tive o desprazer de perder a invencibilidade para o mesmo venezuelano. Porém, no dia seguinte, massacrei o coitado, sem piedade, em três partidas.

 

- A segunda pergunta que mais respondo aqui em Brighton (a primeira continua sendo se eu jogo futebol) é "como é o carnaval no Brasil?". Várias pessoas (todos homens, por que será?) afirmaram que sonham em visitar meu país durante o carnaval. Mesmo que nunca tenham visto ao vivo, todos dizem adorar as mulheres brasileiras.

 

- Estou conseguindo me virar com o meu inglês, mas quando dois britânicos conversam entre eles, parece que estou na Arábia.

 

- Nessa sexta-feira, reunimos um combinado latino-americano e jogamos futebol de campo contra um combinado asiático. Resultado: 6 a 3 pra japonesada. Não dá! Os caras correm mais rápido que notícia ruim!

 

- Ouvindo um diálogo entre meu colega de quarto mexicano e uma argentina, ao meu lado, no busão:
     - Você torce pro Boca ou pro River?
     - Claro que sou Boca, responde a menina.
     Aí eu me intrometo:
     - Você conhece Carlos Tevez?
     - Carlitos? He is the best player in the world. I love Carlitos!, diz a garota muito bem entendida de futebol.

____________________________________________________
Muito obrigado a todos os amigos que têm acompanhado as minhas histórias aqui no blog. Isso tem me deixado feliz pra caramba. Continuem lendo e comentando sempre, assim eu também fico sabendo como é que andam as coisas por aí. Valeu!



Escrito por Alemão às 11h54
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E vai rolar a festa!

"É aqui que acontece a festa brasileira toda segunda-feira?" Como eu estava sozinho e não tinha nenhum plano para aquela noite, resolvi conhecer a tal balada tupiniquim, da qual muita gente já havia me falado.

 

Brighton é uma cidade turística-estudantil e a quantidade de estrangeiros deve chegar a uns 30% de toda a população (sei lá, essa estatística é minha). Desse número, boa parte é formada por brasileiros. Quando se anda pelas principais ruas da cidade, é muito comum ouvir pessoas conversando em português com os mais variados sotaques, desde gaúcho até cearense. Entretanto, para o meu azar - ou sorte -, há pouquíssimos brazucas na minha escola, o que faz com que meus amigos sejam todos de outros países.

 

Ao entrar na balada, mesmo sozinho, logo percebo o clima de meu país espalhado por toda a danceteria. Bandeiras do Brasil grudadas na parede, pessoas vestidas de verde e amarelo, DJ com a camisa do Corinthians e, no telão, show do Paralamas do Sucesso.

 

Bebo uma cerveja no balcão (não, não tinha Brahma) e, ao meu lado, ouço um rapaz perguntando à balconista, em inglês, se alguém do bar falava português. Apesar da resposta negativa, fiquei contente de saber que pelo menos o cara era brasileiro.

 

Puxei algum assunto e pedi que me apresentasse uma rapaziada que estava com ele na balada, já que eu estava precisando treinar um pouco o meu português.

No palco, uma banda começa a tocar sambas antigos, MPB, samba-rock e até marchinhas de carnaval. O que mais me chamava a atenção era ver os gringos dançando - ou tentando dançar - a nossa música. Dois gordinhos franceses pulavam como pipocas, algumas loiras inglesas rebolavam descordenadamente e quem mais levava jeito pra coisa era um grupo de ganeses (por que será?).

 

No intervalo da banda, o telão desce novamente para, dessa vez, passar um show da Ivete Sangalo. Aí ninguém resistiu. Brasileiros, ingleses, mexicanos e até argentinos pareciam animais pulando e dançando ao som da cantora baiana. Pena que já estava na hora de ir embora, pois meu último onibus iria passar e eu não estava a fim de gastar 15 libras num táxi.

 

Mas segunda-feira que vem tem mais.



Escrito por Alemão às 11h39
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Off Topics

King and Queen Pub

 

- Definitivamente, encontrei meu lugar preferido aqui em Brighton. É um pub chamado "King and Queen". Ambiente agradável, um pouco rústico, que conta parte da historia da Grã-Bretanha por meio de quadros e objetos. Mas o principal: possui oito TVs e dois telões transmitindo só futebol, duas mesas de sinuca, além de vender a cerveja mais barata de Brighton.

 

- Voltando ao assunto dos ônibus, todas as vezes que dois deles se cruzam na cidade, os motoristas se cumprimentam com um leve aceno. Lembrei de um diálogo que ouvi outro dia, ainda em Santo André, entre dois motoristas de ônibus:

     - E aí, Toninho, como vai?

     - Tranqüilo, e sua mãe?

     - Ela tá bem. Na zona, junto com a sua!

 

- Aqui, em Brighton, o litro de gasolina custa 99 centavos. Tá certo que é em libra, mas não deixa de ser 99 CENTAVOS!

 

- Nenhum banheiro na Europa possui lixo. Vai tudo pela privada.

 

- Enquanto meu colega mexicano joga Playstation com o "irmãozinho" inglês, na minha casa, não posso nem usar a televisão. Os últimos estudantes que minha host-family hospedou quebraram o aparelho de tv.

 

- Literalmente todo mundo que encontro fala que o Brasil vai ser campeão mundial no ano que vem. Só um turco que conheci hoje acha que vai dar Argentina... A cada 10 pessoas que converso, nove acham que o Ronaldinho Gaúcho é o melhor jogador do mundo e apenas uma prefere Ronaldo, Kaká, Adriano, Robinho, Shevchenko ou Henry.



Escrito por Alemão às 18h18
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Festa no quintal (Turma do Pagode)

Numa noite enluarada fui atrás do meu benzinho

Mas ouvi uma batucada que mudou o meu caminho

Fiquei hipnotizado, fui levado pelo vento

Como um sonho encantado, quando eu vi já tava dentro

Parecia uma festa no quintal, tanta gente sem restrição de cor

Me senti convidado especial, encontrei alegria paz e amor

Não havia uma orquestra nacional, era um ritmo quente no sacode

Uma levada tão legal batizada de Turma do Pagode

De lá pra cá, qualquer lugar que tiver pagode eu vou

Não vou negar, a batucada logo me apaixonou

Aonde for, se tem pagode eu vou.

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Resolvi publicar essa música porque acabou de acontecer exatamente isso comigo. Eu estava dentro de um ônibus, a caminho do centro de Brighton, quando começo a ouvir uma batucada brasileira a distância.

Desci no ponto seguinte e caminhei no sentido do barulho, para ter certeza de que se tratava de um evento entre brasileiros.

Quando cheguei, havia uma multidão em volta, apreciando toda a festa, muita gente sorrindo e se divertindo. Era uma escola de samba. Ao me aproximar de um dos integrantes que não estava tocando no momento, perguntei se eram brasileiros. Ele me respondeu que não, eram ingleses, moradores de rua inseridos em um desses programas de incentivo à arte e à musica.

Fiquei cerca de 10 minutos admirando e fui embora. Nesse momento, lembrei-me desta música e comecei a rir.



Escrito por Alemão às 18h07
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Carro, nunca mais! (pelo menos aqui)

 

Desde quando comecei a dirigir, em 2001, nunca mais suportei pegar ônibus, trem ou metrô. Entre outros fatores, os principais eram a falta de conforto, o cansaço e a violência. E a cada ano, o preço da passagem aumentava.

 

Aqui em Brighton é completamente diferente. Para um brasileiro, parece inacreditável existir um sistema de transporte tão eficiente quanto este que estou experimentando. Andar de carro é completamente desnecessário, principalmente se você não for um cidadão britânico, desacostumado com as inversões no trânsito deste país.

 

Todos os ônibus de Brighton têm dois andares e, graças a isso, é quase impossível estarem lotados. Eu, como bom turista, sempre prefiro o andar de cima para poder admirar melhor a cidade.

 

Outro aspecto que impressiona é a quantidade de informações sobre as linhas, os horários e as paradas de cada ônibus. Em cada ponto, há um mapa da cidade descrevendo toda a rota que eles fazem. E, enquanto você espera pelo seu, há um painel eletrônico ao lado, dizendo quanto tempo ele vai demorar. E não atrasa!

 

Para quem não está acostumado a pegar transporte coletivo, sempre fica perdido nas primeiras vezes, nunca sabe onde está ou onde deve descer. Dentro de cada ônibus, há um painel eletrônico em cada andar, informando a rua por onde ele está passando no momento. Tudo controlado pelo próprio motorista.

 

Cada bilhete custa 2,6 libras, porém, ele pode ser utilizado durante o dia inteiro. No meu primeiro dia aqui, por exemplo, eu me perdi e tive que pegar quatro ônibus para chegar à escola (hehehe). Lembrei que se eu estivesse no Brasil, teria pago 4 passagens.

 

Sem dúvida, o dinheiro gasto em transporte em Brighton é muito bem gasto. E olha que ainda nem conheci o metrô e o trem...

 

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Gostaria de agradecer a todos que entraram, leram e/ou comentaram os primeiros textos. Fiquei super feliz de ver que os amigos se preocupam em saber como está minha vida num lugar tão distante e diferente do nosso Brasil. Muito obrigado à minha namorada/assessora Carla, porque, graças a ela, estou conseguindo colocar acentos e eliminar alguns erros de português, já que tenho que escrever rapidamente. Um abraço a todos!



Escrito por Alemão às 17h46
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