Dinheiro fácil

Nos dois únicos empregos que tive antes de vir para a Inglaterra, meu salário nunca chegou na casa dos 500 reais. Nunca tive muito do que reclamar, pois era estagiário e, tanto na Tlach quanto na Subprefeitura do Ipiranga, trabalhava menos de 5 horas por dia. Parei de trabalhar em março e nos últimos meses me transformei num pão-duro e mão-de-vaca, que nunca queria gastar muito.
Para mim, 72 reais era uma quantia muito valiosa, já que estava há algum tempo sem receber salário. E ontem encontrei a melhor maneira possível de ganhar esse valor. Me divertindo!
A minha escola promoveu um campeonato de sinuca (mesa de bar) e cada participante deveria pagar uma libra para entrar. O campeão levaria todo o dinheiro. Prontamente, aceitei participar do torneio e ainda convidei dois amigos que não estavam sabendo.
No total, 16 pessoas se inscreveram e 16 libras, obviamente, era o prêmio do campeão. Partidas eliminatórias, quem perdia era eliminado. No primeiro jogo, enfrentei um italiano e, mesmo um pouco nervoso, não tive dificuldade em ganhar. Nas quartas e semi-finais, joguei contra dois franceses e massacrei-os sem piedade (desculpe a falta de modéstia). Na decisão, contra um alemão, tive um jogo muito complicado decidido na última bola. Alemão campeão! Eu, não o cara.
Peguei toda a grana e fui pra casa. Dentro do ônibus, tive a idéia de calcular quanto valia aquele dinheiro em reais e fiquei espantado ao saber que tinha ganhado 72 reais. Pensei no quanto eu teria que ter trabalhado no Brasil para conseguir aquilo. Ganhei minha quinta-feira.
Mas do mesmo jeito que a grana veio facilmente, ela se foi. À noite, fui a uma balada e tomei quatro cervejas a três libras cada uma. Paguei mais três libras pra voltar pra casa de táxi e hoje comi um lanche com o que sobrou. Por isso, estou torcendo pra que toda semana minha escola promova campeonatos de sinuca.
____________________________________________________ Continuem fazendo as perguntas que responderei no próximo post. Por favor, ao comentarem, coloquem nome e sobrenome, porque às vezes fico na dúvida de quem é o comentário.
Escrito por Alemão às 14h39
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O que é mais importante?

Desde o dia em que decidi fazer um curso na Inglaterra, minha maior dúvida era onde seria o lugar ideal para morar: casa de família ou dividir apartamento com outros estudantes. Depois de exatamente três semanas, ainda não cheguei a uma conclusão do que é realmente melhor.
Morar com uma família britânica é uma ótima experiência, pois você vive o cotidiano deles, conhece uma cultura completamente diferente, outros costumes e comidas. Com eles, tenho a oportunidade de praticar diariamente o meu inglês, ainda corrijo alguns erros e sempre aprendo palavras novas. Posso assistir partidas de futebol e de sinuca ao lado de Tommy, meu host-father, e conhecer novas expressões dos dois principais esportes do planeta (essa eu forcei).
Entretanto, é necessário que eu lembre diariamente que aquela não é minha casa e nem minha família. Sou obrigado a seguir algumas regras e recomendações. Na semana passada, por exemplo, a Carol, minha host-mother chamou minha atenção algumas vezes. Na quinta-feira, tomei bronca por estar comendo salgadinho no meu quarto. No sábado, por não avisar que não jantaria em casa e, no domingo, porque atendi o telefone por duas vezes. Claro que comecei a ficar irritado com o casal.
Procurei conversar com vários estudantes que dividem apartamento para saber quais são os pontos positivos e negativos de morar em um flat. Viver com brasileiros, não precisar pegar ônibus para ir à escola, não precisar voltar de táxi das baladas, não ter horário fixo para as refeições, ter espaço na geladeira para colocar a cerveja. Teoricamente, muito melhor do que a vida que levo aqui.
Porém, todos esses estudantes me disseram que praticam muito pouco o inglês fora da escola. Alguns me garantiram que melhoraram pouquíssimo a sua fluência na língua britânica.
Dentre vários objetivos que tinha quando embarquei para o Velho Mundo, o principal, obviamente, era aprender a falar inglês fluentemente. Em razão disso, decidi continuar encarando as chatices do cotidiano britânico e evoluir mais rapidamente na língua mais importante do planeta.
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No próximo post, vou tentar responder todas as perguntas feitas na caixa de comentários. Quem tiver mais alguma, aproveite para fazer agora. Neste momento, preciso voltar pra casa, ou perderei o jantar (pelo menos na cozinha, a velha manda bem).
Escrito por Alemão às 13h46
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