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Alemão e suas aventuras na terra de Beckham
 


Só faltou um golzinho!

Old Trafford

 

Terca-feira, 22 de novembro de 2005. Finalmente chegou o dia de assistir a Manchester United e Villareal, pela Champions League. Levantei às 7h30, tomei banho, acordei meu colega mexicano, comi um pão torrado, vesti a camisa do campeão brasileiro de 2005, além de blusa, luva e gorro. Rapidamente, fomos até o centro de Brighton, encontramos alguns amigos e, por fim, pegamos o ônibus com destino a Manchester.

 

Curiosamente, eu era o único brasileiro na excursão. Havia diversos coreanos, em razão da equipe inglesa ter contratado Park Ji Sung recentemente. A outra parte era composta por latinos. Certamente, foi o dia que mais falei espanhol em toda a minha vida.

 

Depois de quase 6 horas de viagem, chegamos ao estádio Old Trafford por volta das 17h. Descemos do busão e fomos caçar uma barraquinha pra tomar uma "gelada". Procuramos por toda parte até descobrirmos que é proibido vender bebida alcoólica nas ruas inglesas. Sem problemas. Comemos um hambúrguer e fomos para o estádio.

 

Como os portões só abririam uma hora antes da partida, decidimos conhecer a loja oficial do Manchester. Um lugar fantástico, onde se encontra tudo sobre o time. Camisas, bandeiras, pôsteres, quadros, brinquedos, bolas, chaveiros e revistas, tudo com a logomarca da equipe. Às 18h15 deixamos a loja e pegamos a fila.

 

Entregamos os ingressos, passamos por um pequeno corredor e subimos uma escada até chegar na parte onde ficam os bares. Infelizmente, escolhi o dia errado para ir ao jogo. Em partidas da Champions League, é proibido vender cerveja dentro do estádio. Comprei um chocolate quente e, enfim, adentrei a arena.

 

Fiquei maravilhado quando vi aquela infinidade de cadeiras vermelhas contrastando o verde do gramado. Um funcionário vestindo um colete amarelo mostrou qual era a cadeira de cada um. Mesmo estando num lugar alto e atrás do gol, me impressionei com a ótima visão que tinha do campo, bem diferente da maioria dos estádios brasileiros.

 

Dez minutos antes de começar a partida, mais de 65 mil pessoas tomaram seus assentos de maneira extremamente rápida e tranqüila. Os times entraram em campo juntos, perfilados, e para minha tristeza (pra não dizer desespero) Riquelme estava machucado e não iria jogar. Entretanto, craques como Rooney, Cristiano Ronaldo, Van Nistelrooy e Sorin já valiam o preço do ingresso.

 

A outra grande decepção, além da ausência de Riquelme, foi o comportamento da torcida inglesa. Eles gritavam por 30 segundos e calavam-se por 5 minutos. Em várias oportunidades, os 500 torcedores espanhóis "dominaram" o estádio. Além disso, depois do jogo, um fraco 0 a 0 em casa, os fãs do United aplaudiram a equipe. Se fosse no Pacaembu, já ia ter gente tentando invadir o vestiário.

 

Mesmo um pouco insatisfeito, sem ter visto sequer um golzinho, deixei o Old Trafford muito contente. Foi uma experiência maravilhosa conhecer o estádio de um dos maiores times do mundo, em uma partida de Champions League. Definitivamente, jamais esquecerei esse dia. E pra quem não lembra, não paguei nem um centavo por isso.

 

 

 

 



Escrito por Alemão às 23h02
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A vida fácil de um prefeito na Inglaterra

Alemão e seu mais novo amigo, Bob Cander

 

Em qual candidato a deputado estadual você votou nas últimas eleições, em 2002? Não lembra? Nem eu. Nós, brasileiros, nos penitenciamos por sempre esquecer em qual corrupto, digo, em qual político votamos e tão pouco lembramos quais eram suas metas e promessas. Entretanto, aqui na Inglaterra a situação seja, talvez, pior.

 

O único político conhecido pelos britânicos é o primeiro ministro Tony Blair. Pergunte a qualquer cidadão na rua qual o nome do prefeito de sua cidade. Ele não saberá responder. Como aqui o voto não é obrigatório, apenas 35% dos eleitores vão às urnas nas eleições. Isso mostra o desinteresse deles pela política local.

 

Nunca me considerei um fanático pelo assunto, mas sim um "curioso". Principalmente na parte regional, municipal. No Brasil, é o segundo caderno que eu abro do jornal, depois de Esportes, é claro. Também creio que meu interesse se acentuou depois de trabalhar por seis meses na Prefeitura de São Paulo e ter uma noção de como a máquina funciona.

 

Na última sexta-feira, dia 18, por meio de uma aula especial que estou fazendo na escola, tive o prazer de visitar a prefeitura de Brighton e até tomar um cafezinho ao lado do prefeito Bob Cander.

 

Chegamos na “Brighton Council” por volta das 14 horas. Fomos recepcionados pelo secretário do prefeito, que mostrou toda a parte interna do edifício. Um lugar bonito, com muitos quadros e objetos de guerra como capacetes, espadas e armaduras. Um prédio que, apesar de antigo, está bem conservado. Então fomos ao gabinete do prefeito, que mais parecia um palácio. E o velho e sua esposa pareciam Rei e Rainha. Ao todo, éramos sete estudantes. Sentamos no sofá pra bater um papo com eles.

 

Fiz diversas perguntas como qual é a relação do prefeito com a imprensa local (eles se odeiam), se ele gosta do Tony Blair (ele ficou em cima do muro) e qual foi o melhor prefeito da história de Brighton (respondeu que todos foram bons, acredita?). Cheguei a sentir que ele deve ter me achado um pouco “abusado" com tantas perguntas. Mas no geral, Bob Cander pareceu uma pessoa muito simpática.

 

O encontro terminou às 15h30. No caminho de casa, com uma latinha de cerveja na mão, fiquei pensando nas diferenças entre o trabalho de Cander e o de José Serra, prefeito de São Paulo. Definitivamente, ser prefeito de Brighton é uma moleza.



Escrito por Alemão às 10h14
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