Com licença, é minha vez de jogar com o Brasil

Certo dia, antes de viajar para a Inglaterra, estava jogando Winning Eleven com meu amigo Daniel Ragoneti quando decidimos que ninguém jogaria com a Seleção Brasileira, já que era a melhor equipe do game. Naquela hora, ele me disse: "Quando você for para a Inglaterra, vai ver a molecada toda brigando pra jogar com o Brasil. Vai ser engraçado". Dito e feito. Percebo, dentro de minha própria casa, que o Daniel tinha razão.
Mesmo sendo brasileiro e o dono do videogame, meu colega mexicano Marco não me deixa encostar o dedo na nossa seleção. Tenho que optar por Itália, Argentina ou França. Isso simboliza um pouco do que o futebol do nosso país representa no exterior.
Pra quem não lembra, logo que cheguei aqui escrevi sobre a constante pergunta “Do you play football?” quando dizia qual era a minha nacionalidade. Até então não havia nada de estranho, pois sabia que nosso país era a maior potência mundial nesse esporte. Porém, hoje percebo que a relação entre o Brasil e o futebol do resto do mundo é mais forte do que eu imaginava.
Dentro de tudo o que chamou a atenção sobre o assunto, destaco o exemplo de um colombiano que disse torcer apenas para a Seleção Brasileira. Isso mesmo. Ele não tem nenhum clube favorito, muito menos a seleção de seu país. Uma colega húngara, da minha classe, também ama nosso futebol. Na parede de seu quarto, na Hungria, há uma bandeira do Brasil pendurada. Além disso, semanas atrás, seu pai foi até a Espanha assistir a um jogo do Real Madrid porque queria conhecer o Robinho (gente rica é outra coisa, né?).
Se você conversa com algum inglês que gosta de futebol, ao dizer que é brasileiro, por incrível que pareça, ele passa a te tratar com mais respeito. O interessante é que a atual seleção da Inglaterra é considerada por muitos daqui como a melhor de sua história. Mas todos são unânimes ao afirmarem que não há a menor chance de ganharem do Brasil na próxima Copa.
Outro fator interessante é a opinião de todos a respeito de Ronaldinho Gaúcho. Certamente ele é o maior "embaixador brasileiro" pelo mundo. É ídolo de brasileiros, ingleses, alemães, mexicanos, etc. Muitos já afirmam que é melhor que o Maradona, como meu host-father Tommy. Outros dizem que ele irá superar o Pelé. Vale a pena esperar.
Aliás, quando se fala da disputa entre Pelé e Maradona, creio que quase todos os europeus preferem o brasileiro. Entre os latinos, em geral, a opinião é dividida. Mas quando converso com os argentinos, não querem saber nem de Maradona, nem de Pelé. Atualmente, eles se interessam apenas pelo Corinthians. A culpa não é minha.
Escrito por Alemão às 22h29
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Rótulo vencido

Queen Elisabeth II
Sorry. Please. Excuse me. Thank you. Cheers. Antes de conhecer o Reino Unido, a impressão que eu tinha a respeito do povo britânico era a de pessoas muito educadas, extremamente sérias e um pouco arrogantes. Depois de cinco meses vivendo na "terra da Rainha", percebi que meu conceito era um pouco precipitado. Reconstruindo meu pensamento, retiro os advérbios e afirmo que eles são educados, sérios e, talvez, frescos.
Desde que comecei a trabalhar no cinema, passei a ter mais contato com os ingleses. Nesse período, as palavras que mais escutei foram sorry e thank you. Se estou no meio do caminho de alguém, me pedem desculpas. Se estou varrendo pipoca na escada, me agradecem.
Como qualquer cidadão fora de sua cidade, ou de seu país, no começo tive algumas dificuldades com localização, transporte, língua, etc. Em todas as oportunidades que pedi algum tipo de informação, os britânicos sempre se mostraram educados e atenciosos, tentando resolver o meu problema. Até então, eu tinha um certo receio de sofrer algum tipo de xenofobia, afinal há milhares de estrangeiros morando aqui em Brighton.
Por outro lado, ainda no quesito educação, o ponto negativo fica por conta dos adolescentes. É comum ver jovens entre 12 e 18 anos fazendo algum tipo de algazarra (de onde tirei essa palavra?) em locais públicos, faltando com respeito aos próprios pais, pessoas idosas e estrangeiros. Talvez seja conseqüência da forte influência da televisão, dos jornais sensacionalistas ou dos Estados Unidos.
Quanto à seriedade do povo britânico, creio que ainda estão uns dois séculos distante de nós, brasileiros. Tanto para o lado bom quanto ruim. Como já escrevi antes, eles não sabem festejar e não têm um terço da nossa alegria e improviso. Uma das coisas que mais me incomoda é ver crianças jogando futebol de terninho e gravata numa escola próxima à minha casa.
Falta de improvisos à parte, há de se destacar que, como diz a lenda, aqui as empresas públicas e privadas, transportes, polícia, parques, estádios, lojas e escolas funcionam correta e pontualmente.
Os britânicos ainda são conhecidos como arrogantes. Não só na América, mas no resto da Europa também. É um rotulo que carregam há alguns séculos. Já eu trocaria a palavra “arrogantes” por "frescos" ou "são-paulinos".
Por exemplo, mesmo fazendo parte da Comunidade Européia, aqui é o único país onde o Euro não é aceito. Eles acreditam que a Libra é a melhor moeda do planeta. Além disso, fazem questão de manter todo o trânsito invertido, com a direção do lado direito do carro, diferente do resto do mundo.
Vale lembrar que a Rainha Elizabeth II continua sendo o principal símbolo do Reino Unido, apesar de ter menos poder do que eu tinha quando trabalhava na Prefeitura de São Paulo. São pequenos fatores que contribuem para a conservação dessa imagem de prepotência.
Em geral, prefiro 100% o estilo de vida do brasileiro, aquele “que não desiste nunca”. Mesmo sabendo que fisicamente me pareço mais com um lorde britânico, minha alma é a de um boêmio paulistano (no bom sentido, é claro). Sem contar que levamos vantagem uma vez que os ingleses jamais terão a nossa alegria. Mas acredito que, mesmo a longo prazo, ainda iremos absorver a seriedade deles.
Escrito por Alemão às 00h02
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